Em agosto de 1991 reuniram-se no Centro Catequético de Janaúba alguns pais para criar a APAE, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Janaúba. Nesta época infelizmente não existia nenhum tipo de atendimento especializado para pessoas com deficiência em nossa cidade, por isso mesmo esses pais começaram um movimento no intuito de conseguir um lugar onde seus filhos pudessem ter os atendimentos necessários às suas deficiências. Vale lembrar quem são esses pais pioneiros na causa Apaena em nossa cidade, são: José Valeriano Lopes (Pio) e sua esposa Maria das Dores, Paulo Alberto de Carvalho e Verônica Alves, Cláudio Fidelix Martins e Yara Milene Cardoso, Daniel Alluoto e Micênia Caíres, Ricart Gonzaga e Ildete Cavalcante. Devemos nos lembrar de Aldimar Rodrigues que era o prefeito de Janaúba nesta data, todos temos grande carinho por ele porque foi uma pessoa que muito nos apoio, se envolveu de modo carinhoso. Estiveram presentes na primeira assembléia o prefeito municipal, Aldimar Rodrigues, outra pessoa muito empenhada em ajudar na causa foi a senhora Maria Aparecida de Brito Araújo que era a Secretaria Municipal de Educação e todos os pais aqui citados estavam engajadas para que tudo desse certo.

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Janaúba – APAE, foi fundada no ano de 1991, a partir de mobilização dos pais, da comunidade local e apoio da Prefeitura Municipal de Janaúba. A APAE iniciou suas atividades com 40 alunos em salas de aula e atendimentos especializados, em sede provisória.

Não podemos deixar de destacar as pessoas que fizeram parte da primeira diretoria da associação:

•         Presidente: José Valeriano Lopes

•         Vice-Presidente: Paulo Alberto Carvalho

•         1º Secretario Geral: Argentino Barbosa

•         2º Secretario: Rexi Nogueira

•         1º Tesoureiro: Daniel Tunes

•         2º Tesoureiro: Gilberto Bonfim

•         Diretor de Patrimônio: Cláudio Fidelix

•         Diretor Jurídico: Ricarte Gonzaga

•         Diretor de Relações Públicas: Clécio Batista

Nossos Presidentes:

•         1991-1993: José Valeriano Lopes

•         1993-1995: Evana Brandão

•         1996-1997: Marilena Soares

•         1997-2002: Cláudio Fidelix Martins

•         2002-2004: Maria Salete Alcântara Borges

•         2005-2007: Maria Aparecida Padovezi Miranda

•         2008-2010: Cláudio Fidelix Martins

O artigo 58º da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) deixa explicito que todas as pessoas têm direito à educação, mas mesmo antes dessa lei viu-se a necessidade de criar uma escola especial, por conta disso, no ano de 1992 foi fundada a 1ª Escola Especial de Janaúba, denominada Escola Municipal de Ensino Especial Professora Marina Cordeiro de Janaúba, a Rua Manaus, nº -----. Funcionou nesse local até fim de 1992, tendo mudado para Rua São João da Ponte, nº ---- ali fincando até 1994. Em 1995, muda-se para Av. Santa Mônica, nº -----, em seguida transfere-se para o CAIC onde funciona por 3 anos, saindo de lá para sua tão sonhada sede própria, à Rua São João da Ponte, 1660, Bairro Santo Antônio. Ali ficando e se apropriando cada vez mais de uma estrutura adequada para atender as necessidades das pessoas com deficiência atendidos.  

A APAE passou por diversos problemas até chegar à estrutura que se encontra hoje. Sem recursos financeiros e com custos além das ajudas governamentais possíveis, tínhamos que fazer diversos eventos para arrecadar fundos para conseguir cobrir as despesas. Alguns pais e funcionários se reuniam para criar estratégias de captar recursos financeiros. Dentre as muitas ideias, realizaram feijoadas, trabalharam em estacionamentos de festas locais como em Exposições Agropecuárias, Forró do Caiçara ou ainda no Réveillon desse mesmo clube; houve ainda diversas campanhas, das quais nos recordamos com mais carinho das vendas de camisetas e bonés. Todos os recursos advindos desses eventos eram destinados à construção da sede própria.

Contamos com a ajuda de muitos pais como voluntários na obra, ou seja, muitos se fizeram presentes na própria construção, abrindo o alicerce, pegando pedras ou tijolos ou tudo que fosse necessário para diminuir gastos, conseguindo assim chegar ao sonho de ter uma sede onde nossos filhos pudessem ser respeitados. Contamos também com muita ajuda da população local com doações de todos os tipos, desde alimentos para melhorar a merenda dos alunos até materiais de construção; o povo de Janaúba tem grande parcela de contribuição desde o começo. Nós agradecemos de coração a todos que se fizeram parceiros nessa causa!

O tempo foi passando e os problemas aumentando, necessário se fez que criasse meios para resolver esses problemas. Com a chegada de Cláudio Fidelix à presidência da instituição, houve varias mudanças, seu esforço se logrou principalmente em resolver as questões financeiras. Ele criou em 2000 a 1ª Campanha de Prêmios da APAE de Janaúba; trouxe a ideia de sua cidade natal no interior de São Paulo, Colina; nessa cidade existia uma campanha da APAE. Achando ele que essa poderia vir a resolver os problemas da APAE de Janaúba, expôs a ideia para seus colegas diretores aprovarem, contudo os mesmos acharam muito arriscado fazê-la, mas ele como presidente colocou a ideia insistindo na aprovação da mesma chegando a colocar sua casa de morada como garantia se necessário fosse cobrir prejuízos que a campanha por desventura desse.

Felizmente a campanha foi feita e deu ótimos resultados, hoje a instituição cresceu muito e ainda conta com a campanha que além de ajudar a própria APAE, ajuda aos comerciantes que vendem os produtos para ela e ainda as pessoas que recebem os prêmios. Sabemos de muitas pessoas que mudaram a vida para melhor a partir do prêmio adquirido nesses sorteios. Acontece ainda, hoje em dia, de a campanha beneficiar não somente a APAE de Janaúba, mas também outras APAEs da região, tendo sido aprimorada a nível regional para ajudar as entidades da região (Norte II).

Podemos dizer que a APAE em Janaúba abriu caminho para o crescimento de muitas entidades na cidade já que outras instituições filantrópicas fizeram campanhas parecidas, se encontrando em situação financeira menos desconfortável.

No decorrer de todo esse processo os alunos iam aprendendo de acordo suas habilidades e potencialidades; os profissionais também foram adquirindo experiência, se apropriando cada vez mais de uma prática capaz de ajudá-los.

Sabe-se que o caminho se faz ao caminhar, Lao-Tsé-Tung disse certa vez: “Uma longa viagem começa com um único passo”. Provavelmente este “único passo” é o primeiro passo, e ele não será isolado, mas será o único por ser o primeiro e nunca mais haverá outro comparado a esse. Precisamos dar este único passo sempre, em tudo que desejamos ou sonhamos realizar, acreditando que haverá de ter outros que nos conduzirão para o fim tão querido. “Um sonho começa a ser realidade quando homens e mulheres sonham juntos, olham para além das limitações e ousam caminhar caminhos novos, às vezes pedregosos, às vezes escorregadios, sempre desafiantes. Não obstante, nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo é mais angustiante do que se caminhar solitário... sem mãos que se tocam, sem ombros que se apoiam, sem olhos que se olham...” (Abraham Lincoln)

A caminhada não foi fácil, ainda não chegamos ao destino, contudo se faz urgente pensar na pessoa com deficiência como alguém com direitos e deveres assegurados pelo estado como qualquer pessoa. Cabemos a nós, educadores, estarmos atentos para assegurar-lhes seu lugar no ensino, na sociedade e em todos os lugares, pois são cidadãos com direitos igualitários como descreve a constituição brasileira em seu Art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros [...] residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança [...]”.